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10 abril 2011

Puro encantamento



Roberta Sá já merecia um post aqui no blog faz muito tempo, mas talvez por eu ser muito seu fã, escrever sobre ela não é tarefa fácil.

Sexta-feira assisti, pela segunda vez, o show “Quando o canto é reza”, espetáculo do cd homônimo, no qual Roberta divide o palco com o Trio Madeira Brasil, integrado por Marcello Gonçalves (violão de sete cordas), Ronaldo do Bandolim e Zé Paulo Becker (violão e viola caipira), interpretando canções de Roque Ferreira, famoso compositor do Recôncavo Baiano, já gravado por estrelas como Zeca Pagodinho e Maria Bethânia.

Roberta surgiu na minha vida (eu não me lembro como!!!) no lançamento do seu 1º cd, "Braseiro". Na época o cd sequer era encontrado nas lojas do Recife, e como foi amor a primeira vista, ficava fuçando no computador em busca de todas as músicas do álbum. Um disco clássico, composto por sambas antigos e com participações especialíssimas, como Pedro Luís (seu marido), Ney Matogrosso e MPB4, cantando a linda “Cicatrizes”.



E minha admiração por Roberta só ia crescendo. Até que foi lançado “Que belo estranho dia pra se ter alegria”, um cd mais contemporâneo, sem esquecer dos sambas antigos (como a excelente “Interessa”) e com participação dos maravilhosos pernambucanos Lenine (em “Fogo e Gasolina”) e Lula Queiroga, compositor da música que dá nome ao álbum.

Depois disso, veio o terceiro cd, este ao vivo, mostrando uma cantora muito mais desenvolta e segura no palco, relembrando seus maiores sucessos e trazendo as lindas “Samba de um minuto” (pra mim a melhor música do disco) e “Janeiros” (composição da própria Roberta com Pedro Luís).

Neste momento, Roberta Sá já era uma cantora consolidada na música nacional, sendo considerada um dos grandes nomes surgidos nos anos 2000, sucesso de crítica e de público. Mas eis que Roberta, para minha grata surpresa, foge do popular e comercial, e lança o citado “Quando o canto é reza”, um disco para poucos, com letras muito ligadas à cultura baiana e ao candomblé, mas que, para minha surpresa novamente, tornou-se sucesso para o grande público, sendo muito bem recebido em todo o país.


"Quando o canto é reza" é um disco leve, mas de uma sonoridade muito marcante, trazendo arranjos diferenciados às canções de Roque Ferreira, fugindo, em determinados momentos, ao samba de roda inerente às músicas do referido compositor, passeando pelo ijexá, samba carioca, maxixe, dentre vários outros ritmos. Embora eu seja suspeito pra falar das músicas, já que adoro todas, destaco a sua versão para “Água da minha sede”, já gravada por Zeca Pagodinho” e "Marejada" (minha música preferida no disco).



No primeiro show de Roberta no Recife, da turnê do “Quanto o canto é reza”, eu tive a honra de conhecê-la, e confesso que foi um dos momentos mais emocionantes que já vivi. Além de ser uma excelente cantora, de uma contemporaneidade ímpar, dando a clássicos uma sofisticação louvável, Roberta é de uma simpatia e simplicidade admiráveis, refletindo doçura por onde passa.


Antes de terminar este post (se deixar eu falaria dela por muitas e muitas linhas ...) preciso destacar o excelente trabalho dos percussionistas que a acompanham no show (Zero e Paulino Dias), tornando-se um dos diferenciais do espetáculo e trazendo toda a magia que a percussão, tão presente na cultura afro-brasileira, transmite.

Roberta é uma das grandes responsáveis pela minha paixão por samba, sua música me seduz, proporcionando-me puro encantamento.

Roberta Sá e MPB4 - Cicatrizes


Roberta Sá - Marejada




Beijos,

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