Em muitos assuntos da minha vida eu sou adepto daquela expressão “menos é mais”, preferindo algo mais simples a coisas requintadas, sofisticadas ou até mesmo exageradas.
Acho que a música de Tiê é mais ou menos assim. Não há nada de muito requintado, suas letras são simples (em certas situações extremamente autorais), mas o seu som me faz um bem danado.
Eu conheci Tiê através de uma matéria sobre as novas promessas da MPB, que foi publicada na Revista da Cultura no ano passado. Curioso, procurei sua música e tive acesso ao seu 1º CD, “Sweet Jardim”. No início achei aquilo tudo muito estranho, as músicas não faziam sentido pra mim, e ela parecia não ter vontade de cantar.
Mas dando-se o tempo necessário para a maturação do CD na minha cabeça, eu fiquei completamente viciado nas canções daquela moça tímida, de voz suave e aparentemente despretensiosa.
Embora eu não conseguisse interpretar o que Tiê queria externar em algumas das suas canções, eu não parava de cantá-las, e aos poucos, depois de muito ouvi-las, aprendi que o simples pode dizer muita coisa e pode até mesmo ser, de certa forma, complexo (se é que vocês me entendem ...).
Canções como “Dois”, “Quinto Andar”, “Chá Verde” (uma das minhas preferidas) e “Assinado Eu” (a maneira mais delicada que eu já vi de se acabar uma relação ou não dar esperanças a uma pessoa), tocaram (e ainda tocam), por muito tempo no meu pc, no meu carro e no meu ipod, ou seja, em todos os lugares em que eu ouço música!!!!
E eis que agora em março Tiê lançou o seu segundo CD, intitulado “A Coruja e o Coração”, título este que eu achei maravilhoso, pois, na minha interpretação, significa o encontro da razão com a emoção. E como aconteceu com “Sweet Jardim”, eu estranhei as músicas no início, mas, passado o período de deglutição, estou completamente apaixonado pelo álbum.
Tiê volta diferente, embora ainda preserve o tom minimalista das suas canções, incorporou a sua banda a bateria de Naná Rizzini, trazendo algo mais ativo a sua banda. O que me marcou foi a pegada mas country incorporada ao disco, que casou muito bem com a voz da moça. A música “Pra Alegrar o meu dia” é uma delícia de se ouvir, em “Mapa Mundi” ela tem a ilustre participação de Tulipa Ruiz, Karina Zeviani e Thiago Pethit. O tom romântico também está em “Piscar o olho” e “Te mereço” (que parece ser uma continuação de “Te valorizo”, música do primeiro CD).
Tiê ainda interpreta a linda “Só sei dançar com você”, já gravada por Tulipa Ruiz em seu cd “Efêmera”, e “Você não vale nada” (é isso mesmo, aquela música de Calcinha Preta), com um arranjo flamenco, da qual eu ainda não me decidi se gosto ou não (ela foi, no mínimo, ousada).
Enfim, Tiê, com sua simplicidade, continua apaixonando quem a ouve, até porque o menos pode ser muito mais ...
Aguardo ansiosamente a vinda de Tiê ao Recife ...
Tiê - Para Alegrar o meu dia
Beijos,

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