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27 julho 2011

Reinventar-se

O ato de reinventar-se, inovar, mudar, não se limita apenas às pessoas e pode acontecer com uma simples música.

E como tô sem tempo, e sem saco, pra escrever, trago um exemplo de uma reinvenção, ou reinterpretação de uma música. 

Assistindo ao DVD da maravilhosa Beyonce, impressionei-me com uma versão que ela fez de "Sex on fire", clássico do Kings of Leon.

Assistam os vídeos abaixo, comparem e tirem suas próprias conclusões.

Beijos,





25 julho 2011

Velhas Novidades



Caetano Veloso é muito inteligente e todo mundo sabe disso. Ele consegue se reinventar de tempos e tempos, trazendo novidades, cantando música literalmente popular ou tocando com bandas de jovens músicos sempre antenados no “agora”, como no caso da BandaCê, que o acompanhou nos seus últimos discos.

E em mais uma jogada dele neste eterno processo de atualização, eis que o mesmo se junta com Maria Gadú, ícone da nova geração, para gravar um especial para o canal de televisão Multishow, intitulado "Duo".

O referido projeto deu origem a um cd e dvd (Caetano Veloso e Maria Gadú Ao Vivo Multishow). Embora ache que a imagem de Maria Gadú encontra-se bem desgastada, já que este é o segundo registro ao vivo da cantora com músicas do seu primeiro e único cd, a parte do show voltada às músicas de Caetano merecem calorosos elogios.

Gadú trouxe suavidade e sensualidade às letras de Caetano, e as interpretações de “Beleza Pura”, “O quereres”, “Vaca Profana”, "Rapte-me Camaleoa” e "Menino de Rio” ficaram repletas de beleza e graça.

Ou seja, nada de novo, apenas diferentes roupagens. Mas partindo de Caetano, panela velha sempre faz comida boa ...



Beijos,

13 junho 2011

Meu Everest



Semana passada, mas exatamente dia 07, eu superei um dos desafios mais temidos de qualquer universitário: “a danada da monografia”.

Eu já pensava nela desde o 7º período, mas como todo bom brasileiro, deixei para fazê-la 01 mês antes. A elaboração do texto em si não foi nada de muito complicado, eu já conhecia o tema e gosto muito dele ... o meu maior medo era com a assustadora defesa do trabalho.

E depois de feito posso dizer: é bem assustadora mesmo!!! Estar diante de 03 professores, os quais você respeita e que podem ter entendimento contrário a sua tese não é tarefa nada fácil. No meu caso, especificamente, um dos professores (Francisco Barros), do qual tenho imensa admiração, foi o meu, digamos (com muitíssimo exagero!!!), algoz.

Ele sugou todos os detalhes do trabalho, fez inúmeras críticas, sugestões e trouxe elementos novos à pesquisa. Mas tudo que ele falou foi construtivo e só pode engrandecer o trabalho. É por isso que eu sempre prefiro os professores mais exigentes, são deles que a gente lembra no final de tudo ...



Enfim, passou, e consegui nota máxima ... tirei um Everest das minhas costas, mas ainda não acabou, falta subir a Ladeira de Misericórdia ...

Beijos,

12 junho 2011

Eduardo e Mônica

Dia dos Namorados, casais apaixonados se divertindo por aí (enquanto eu estudo ...) vi um vídeo, que foi o maior sucesso essa semana no twitter e no you tube, produzido pela operadora de celular Vivo, tendo como pano de fundo a música "Eduardo e Mônica", de Legião Urbana.

Vídeo de extremo bom gosto e muito bem produzido, Eduardo e Mônica emociona e reflete com suavidade e delicadeza a história de amor de um casal, digamos, "diferente", mostrando que para o amor não há idade, profissão ou barreiras ...

Feliz dia dos namorados pra todo mundo, em especial, pra minha "Mônica"!!!!

01 junho 2011

Fogo de Palha



Há algumas semanas, Amanda Gurgel, professora da rede estadual de educação do Estado do Rio Grande do Norte, tornou-se figura conhecida em todo ao país ao discursar, em um palestra composta por deputados estaduais e dirigentes da secretaria de educação, externando seu descontentamento com a situação do ensino no seu estado e no seu país, e com o tratamento miserável pelo qual passam os professores de escolas públicas.

Depois de tal discurso, e de sua inserção na internet, Amanda tornou-se uma “celebridade”, constando seu nome no Trending Topics do Twitter e aparecendo nas grandes mídias nacionais, inclusive, na poderosa Rede Globo de Televisão.

O que me assusta não é a dimensão que as palavras de Amanda tomaram - pois de fato ela possui uma excelente oratória e transmitiu todo o seu descontentamento com uma linguagem simples, mas demonstrando todo um conteúdo e encadeamento lógico – mas como o povo brasileiro tem memória curta, ou finge que a tem ...



O que Amanda Gurgel falou sobre a situação periclitante da educação no Brasil não é novidade, e muitas outras pessoas, inclusive professores, já haviam se insurgido contra as mazelas do ensino no nosso país. Então por que só agora a população resolveu ouvir o sofrimento dos professores??? Será que tal comoção nacional decorreu apenas da força da internet em difundir as informações???

Tenho minhas dúvidas, e acho que todo esse interesse pelo protesto de Amanda Gurgel não passa de fogo de palha, e daqui a pouco as palavras da professora serão esquecidas e o mesmo povo estarrecido com a degradação da educação brasileira permanecerá inerte, sem lutar por qualquer melhoria no ensino público de nossa nação.

Nós brasileiros, na maioria dos aspectos de nossa vida social, temos memória curta e esquecemos rapidamente dos problemas que assolam o nosso país. A pergunta é: Até quando???


Beijos,

30 maio 2011

Simples assim



Neste último sábado Jack Johnson tocou aqui no Recife, e eu, claro, não podia deixar de assisti-lo, já que acompanho sua carreira há muitos anos.

A música de Jack é composta por letras simples, acordes básicos e uma suavidade que combina perfeitamente com um violão, uma praia e toda a magia que o mar nos proporciona ...

Não espere nada muito rebuscado, Jack não tem essa pretensão. Da mesma forma, não é uma música dançante, nem um cantor com grande presença de palco. Ele é simples, tímido, mas tem uma voz extremamente doce, que o torna um dos grandes músicos da atualidade.



Eu diria que o show foi extremamente correto, músicas muito bem interpretadas, banda afiada, voz boa, enfim, tudo que eu esperava. Não é um show tenso, como o de Amy Winehouse, que você não sabe o que esperar, nem se ela iria aparecer ... Jack é o contrário, não tem nada de estrela e parece fazer parte da chamada “geração saúde”.

Todos os seus grandes sucessos foram apresentados, como "Better Together", "Home", "Gone", "Good People", dentre vários outros ... Só faltou a minha preferida ("Angel"), cuja ausência foi o único ponto ruim da noite ...

Um capítulo a parte do show foi a simpatia do pianista Zach Gill, que além de estar visivelmente se divertindo muito por estar em terras brasileiras, ainda brincou com uma sombrinha de frevo enquanto tocava divinamente o seu acordeão.



Outro destaque na carreira de Jack é a sua preocupação com as questões ambientais. Jack criou a Johnson Ohana Charitable Foundation, entidade voltada ao financiamento de programas de proteção ambiental, e doará todo o lucro da sua turnê no Brasil para ONG’s que promovem a educação e ajudam a manter o meio ambiente.

Enfim, quer relaxar, tomar um vinho, caminhar na praia ou simplesmente dormir??? Ouça Jack Jonhson, tenho certeza que você na vai se arrepender ...



Beijos,

25 maio 2011

Filhos de Deus



Na última segunda-feira, Frei Betto, conhecido escritor e religioso dominicano, que atuou significativamente no primeira mandato do seu amigo e ex-presidente da República Lula, publicou um artigo no Jornal O Globo, acerca da relação entre homossexuais e a religião.

Pela primeira vez eu li um texto de um religioso tão respeitado defendendo que a igreja aceite e acolha os homossexuais, afinal, eles também são filhos de Deus.



Espero que essa posição de Frei Betto seja um avanço para que as religiões, usando da tolerância, da compaixão e da caridade que devem fazer parte de toda e qualquer crença, vejam as pessoas de modo igual, independente de raça, opção sexual ou situação financeira.

Segue:

Os gays e a Bíblia - FREI BETTO

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos. No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”...).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc). No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países-membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade".

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hetero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.

São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.

A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que “quem ama conhece a Deus” (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama...).

Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?

Ora, direis, ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os “eunucos de nascença” (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.

Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão;e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?

Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.

Beijos,

19 maio 2011

De encher os olhos ...



O videoclipe é uma excelente ferramenta para trazer sensibilidade visual a uma música. Geralmente, ao pensarmos em uma canção, nos limitamos a sua sonoridade, mas não guardamos nenhum aspecto gráfico da mesma.

Pois bem, o clipe tem a função justamente de nos trazer uma memória visual da canção, alargando a possibilidade de sensações que uma música pode nos proporcionar.

Fazia tempo que nenhum videoclipe me chamava atenção. A MTV tinha perdido a graça pra mim, e a única coisa que me interessava no canal era o excelente programa "Furo MTV" e as reprises dos acústicos produzidos pela emissora.

Mas eis que essa semana eu me surpreendi com a beleza do clipe “Te Amo”, de Vanessa da Mata, música do último cd da cantora (Bicicletas, Bolos e outras alegrias).



O vídeo é de uma simplicidade e de uma delicadeza ímpar. Dirigido pelo ator Wagner Moura, e estrelado pela bailarina Marilena Ansaldi (representante do teatro-dança no Brasil), o roteiro limita-se a demonstrar a referida bailarina dançando, em um cenário sóbrio, e demonstrando como a mesma “sentiu” a música.



Marilena, que já é idosa, o que traz um diferencial ao clipe, transmite uma suavidade e uma vivacidade, ou até mesmo força, que se confundem e se misturam na coreografia, sendo uma das apresentações mais bonitas que já vi. Ela se entrega completamente à canção, e sente, de uma maneira infinitamente pessoal, o que aquelas versos representam a mesma.

Enfim, um belo vídeo, que vale muito a pena ser visto e elogiado.

Segue:



Beijos,

17 maio 2011

Espaço Gourmet Cozinhando Escondidinho



Eu adoro conhecer lugares novos, gosto do desconhecido e da surpresa daquilo que vou encontrar. Pois bem, lendo matérias do blog Pitadinha e da seção de gastronomia do NE10, vi excelentes indicações sob o restaurante “Espaço Goumert Cozinhando Escondidinho”, que fica em Casa Amarela, zona norte do Recife.

Resolvemos nos aventurar e fomos conhecer o sobredito restaurante. O dono do espaço goumert é o chef Rivaldo França, que já era conhecido no meio gastronômico pelas trufas com sabores diferentes (jaca, tapioca e bolo de rolo) que produzia. Rivaldo resolveu montar um espaço em sua casa especializado em cozinha regional.



Pois bem, as fotos que tinha visto eram ótimas e os pratos pareciam maravilhosos. A primeira impressão, ao chegarmos, era que o lugar era muito pequeno e abafado, mas quanto a isso não podíamos reclamar em nada, sabíamos que o restaurante era na casa do chef e que o espaço era limitado.

O problema começou em relação ao atendimento. Só havia uma garçonete disponível e era impossível para a mesma se desdobrar nos pedidos de todas as mesas, já que o lugar estava lotado. Os pratos que pedimos (éramos 4 pessoas), não chegaram no mesmo momento, o que pra mim foi um erro grosseiro, pois cada integrante da mesa comeu em um momento diferente.

Pra piorar, a entrada (escondidinho de banana da terra com carne de sol – que estava muito bom) chegou depois do prato principal, o que demonstra a inexperiência da equipe. Complementando, pedimos uma jarra de suco de goiaba, que estava com gosto super estranho (pedimos para devolver) e logo depois um refrigerante, cujo vencimento era no dia seguinte (também com um gosto esquisito).



Tenho que ser justo e dizer que, apesar de toda a deficiência do serviço, os pratos que pedimos (Pirão de coalho na cumbuca virada e Baião de Nós), estavam com uma boa apresentação e apetitosos, mas não indico o lugar, pois de nada adianta ter talento culinário quando se presta um atendimento de qualidade precária.

Quem quiser tirar suas próprias conclusões, segue o endereço:

Espaço Goumert Cozinhando Escondinho
Rua Dr. Tomé Dias, 08, Casa Amarela
Fone – 9669-3924 – 8618-6781


Beijos,

08 maio 2011

Nem um dia

Existem músicas das quais você não espera mais nada, já se ouviu muito, até enjoar. Uma delas era "Nem um dia", sucesso de Djavan, que tem um espaço importante na minha adolescência.

Mas eis que Maria Rita, em sua nova turnê, me surpreende que um versão meio jazz da música, e me traz de volta toda a beleza dessa canção e as histórias daquele tempo de ingenuidade e de vida tranquila.

Impressionante como Maria Rita consegue introduzir beleza e contemporaneidade às canções que interpreta, este é um dos motivos que me faz ser tão fã dessa cantora.

Segue:


Beijos,

29 abril 2011

Todo mundo quer ser Kate ...



E finalmente o casamento do príncipe William e de Kate Middleton aconteceu. Não vou aqui tecer comentários sobre o vestido da noiva, a cerimônia, as festas ou os convidados, embora tenha ficado encantado com a elegância da moça, pois o que não faltam são blogs, programas ou revistas especializados, esmiuçando todos os detalhes da cerimônia.

O que eu fiquei pensando, na verdade, foi na responsabilidade que Kate carregava nas suas costas, tendo somente 2 bilhões de pessoas no mundo todo assistindo ao seu casamento, e comentando cada passo que ela dava. Por outro lado, toda mulher (ou pelo menos a maioria delas) queria ter o poder da nova “Duquesa de Cambridge” hoje, estar no lugar dela, vestir aquela bela roupa e ter o planeta aos seus pés.

E diante desse clima casamentício, resolvi compartilhar com vocês mais um texto da coluna “O Papo é Pop”, de Miguel Rios, publicada no JC On Line, onde ele defende que lá no fundo todo mundo quer ser Kate ...

Segue:

papo é pop

Congratulações, Kate!

Publicado em 28.04.2011, às 15h51

Por Miguel Rios



Kate, o mundo acima dos tronos é ambição humana desde que se aprende a ouvir, ler, perceber.

Adeus, Kate Middleton. Você se despede, a gente sabe. Você não será mais a mesma. Ainda que queira, se esforce, não tem como. Você, ao menos uma boa parte, vai para algum local, uma gaveta, um banco de reservas, um arquivo em uma pasta, para ser resgatada e acionada em momentos mais íntimos, mais relaxados, menos protocolares.

Não vai por completo, Kate. Nem poderia ir. Ninguém se despe de si por inteiro e pendura no guarda-roupa. Mas, Kate, você será outra, você e o planeta sabem. Coroada, perseguida, clicada, vigiada, adestrada. Alvo dos olhares, desejos, invejas, críticas e desprezos. O alto preço da realeza de hoje e de sempre. Mas, sobretudo, ser o que todos, lá no fundo, mesmo os que escondem e negam, tanto querem ser.

Kate, o mundo acima dos tronos é ambição humana desde que se aprende a ouvir, ler, perceber. E você sabe bem, garota.

Desde que a primeira história nos é contada, desde que as letras começam a se agrupar e formar palavras, palavras formam frases, e tudo junto ganha sentido, o tal fascínio se faz presente.



Desde que Cinderela, Ariel, He-Man, Nárnia, Senhor dos Anéis, Conan, Guerra nas Estrelas, Pelé, Michael Jackson, Roberto Carlos, Luiz Gonzaga, Elvis, Grace Kelly, Madonna, Diana, Cleópatra, Elizabeth a I e a II,  D. Pedro o I e o II, se apresentam, um a um, eles reforçam  a nossa cobiça de estar aí onde você está.

De estar aí, no cume. De não querer ser só mais um, mas ser aquele. O máximo, o rei. O que vai ser reconhecido, parabenizado, copiado. O cara. O que gosta do que conquistou, o que se mostra modesto, mas se rasga de ansiedade pelo próximo elogio, pelo próximo prêmio, para dizer, mesmo calado, a si e aos outros: “Sou o melhor. O rei daqui sou eu”.

É, Kate, é o que se chama vaidade, com toques, mínimos ou excessivos, de soberba. Não há quem não conheça, não tenha praticado vez ou outra, basta olhar para trás. É o nosso eu feroz escalando, pisando e deixando para baixo o eles, o nós.

Você lutou, garota. Pôs na cabeça logo cedo que seria rainha, articulou, mediu, foi lá, passo a passo, tocaiou e laçou. Criou a meta, traçou os planos, se dedicou a eles.

Fútil? Sim e não. Força de vontade? Com certeza. Era o você que queria, o que assumiu que queria, danem-se os outros, as outras,  que agora torcem seus narizes, mas que sentem e sentirão aquele comichão familiar, inegável,  que se coça escondido, o da inveja abafada. E que terão de lidar com a pergunta: toda mulher não tem direito a ser o que ela quiser ser, até princesa?

Você é uma bocado de desejos que sufocamos, disfarçamos, tentamos nos livrar, para não parecermos mais esnobes do que somos. É nossa vontade de Veuve Clicquot amenizada com Miolo, de Johnnie Walker Blue 21 anos que tem de morrer no Red, de Ferrari suprida por um Palio, de lagosta e não de camarão congelado, de férias em resort resignadas em pousada.



Você é  nossa avidez por luxo e riqueza que mostrou a cara sem acanhamento do rótulo de frívola, que já  colam junto. Você reconhece querer ascensão. Dispensou a nossa humildade duvidosa de menosprezar  todo o prêmio da mega-sena, dizendo que só um quinto do dinheiro nos bastaria. Sua aposta foi na acumulada e sem subterfúgios: “Eu quero tudo!”

Garota, você representa nossas ambições e arrogâncias. Nosso inconfessável. Nossa alma teimando em não ser consumista, repetindo “eu não preciso disto, eu não preciso disto”, mas salivando de apetite. Nossa certeza de que ser desprovido de riquezas, com dinheiro contado a cada fim de mês, dívidas negociadas, pode não ser vergonhoso, mas é terrivelmente incômodo. De que fortuna pode não traz felicidade, mas é bem melhor ser infeliz em um cruzeiro pelas ilhas gregas.

Temos o teu sonho. Não o de reinar na Grã-Bretanha. Talvez nem em outra terra. Mas de se destacar em algo, ser ícone,  levantar olhares. Ser parecido, chegar perto, a um daqueles que elegemos como rei do futebol, da música popular, do rock, do pop, do baião, de Pernambuco, da coxinha.

Ser rei e rainha é  popular. Está no imaginário coletivo. Você, Kate, é mais uma. Nem a maior, nem a menor. Mas uma que, de fato, deslumbra. É nossa necessidade de ofuscação. De embriaguez. De, por alguns momentos, nos transportar até aí, neste teu mundo, e pensar como seria, o que eu faria, se me daria bem, que de tal obrigação eu não gostaria, daquela outra Deus me livre!, mas aquilo e aquilo, ah!, seria bom demais.

Você é o que rejeitamos em ataques de rebeldia contra as elites,  de preocupação com o todo, de repartir riquezas. Aqueles ataques em defesa dos desvalidos. Quando os afagamos, nos solidarizamos, mas ficamos nos discursos sociais, debatendo através de iPods, Blackberrys, conversas de bar, e depois, enfadados, voltamos para os lençóis com amaciante Fofo, para o suco de laranja com pão quente e Danone toda manhã, o almoço em praças de alimentação de shopping centers, sem querer a vivência,  real, na beira do rego, sob o telhado com goteira, do lixo na porta, do fedor do esgoto. Só, no máximo, uma visita para nos descriminar.  A corriqueira prática do eu ajudo, mas eles lá e eu longe.



Você, Kate, é a satisfação da intelectualidade pernóstica, que te vira a cara, te acha pedante, mas já se achando superior, que te enxerga pelo cômodo e caquético lugar comum do clássico capitalismo x socialismo, te acusando de usurpadora da democracia, mas que aplaude monarcas sem coroa, mascarados defensores do povo, cercados de privilégios, comandantes, sentados em tronos que se teima em não reconhecer, por décadas, legitimados por artifícios e manobras.

Kate, você é nossa maior hipocrisia e nossa maior verdade. Nosso senso de ridículo gritando na disputando com nossa futilidade histérica. Nosso olhar de encantamento e de desdém, nos identificando e nos frustrando. Nossa vontade marinada de sermos  ricos, poderosos, famosos, idolatrados. Nosso desapego, oculto ou descarado, por aquela tal humildade de catecismo e a total admiração, oculta ou descarada, pelo que tem preço altíssimo na etiqueta.

Você não fará o mundo nem melhor, nem pior. Só com mais glamour, Lady Kate. O príncipe é teu, a coroa é tua, o palácio é teu. Vá e vá com tudo, rainha.


Beijos,

15 abril 2011

ECA ...



Na última terça-feira, no bairro de Aldeia (reduto de muitos recifenses de classe alta nos fins de semana), na cidade de Camaragibe, região metropolitana do Recife, Fernanda Mateus, 26 anos, estudante do último período do curso de Rádio e TV da Universidade Federal de Pernambuco, foi brutalmente assassinada, depois de um assalto, na localidade chamada “Chão de Peroba”, sendo alvejada com um tiro no rosto, após se recusar a dar sua bolsa ao assaltante.

Fernanda estava indo com sua amiga, Lorena Albuquerque até um haras, gravar um vídeo para apresentação de sua monografia de final de curso. Pararam para pedir uma informação e tiveram o azar de perguntar a dois assaltantes, menores de idade, que simplesmente resolveram matar Fernanda, como se não bastasse roubá-la, como se a vida fosse algo descartável e como se matar fosse atitude corriqueira.

Crimes absurdos como esse acontecem todos os dias por todo o país. Embora choquem, são esquecidos, restando a dor apenas à família das vítimas. Mas o que me chamou atenção no caso foi a possibilidade de impunidade no seu desfecho.

Em sendo os assaltantes menores de idade, um de 15 e outro de 17 anos, não poderão ser processados penalmente, sofrendo, em último grau, uma medida socioeducativa, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), tendo como pena máxima a internação em estabelecimento educacional, a qual não pode exceder 03 anos, como assinala o §3º, do art. 121 da referida Lei.

E aí eu me pergunto ... esse deliquente, que teve a coragem de desfigurar o rosto de Fernanda Mateus foi realmente penalizado?? Estaria ele pronto para retornar à sociedade??

Evidentemente sei que o ideal seria investirmos em educação, evitando que os nossos jovens fossem dominados pelo mundo da criminalidade. Mas seria utópico da minha parte imaginar que isso possa acontecer em um curto espaço de tempo.



Na nossa sociedade atual, conduzida pela internet e toda a globalização que esta proporciona, um jovem de 15 anos tem plena consciência do efeito dos seus atos, de modo que se faz necessário o início de um debate no Brasil sobre a redução da nossa maioridade penal. É necessário que a legislação siga a evolução da sociedade e resta evidente que os nossos adolescentes não são os “inconsequentes” e “bobões” de décadas atrás.

Enquanto esse debate não se inicia, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) continua protegendo esses “pequenos” (que de pequenos não tem nada) marginais, e daqui a 03 anos a história de Fernanda Mateus será passado na vida desse assaltante.

Acho que o ECA, reportando-me à legislação, pode ser entendido no sentido literal da palavra, ou seja, em alguns pontos, é algo asqueroso, que precisa urgentemente de reforma e de adequação aos novos tempos.

Minha revolta e meus sentimentos à família de Fernanda.

Beijos,

13 abril 2011

A coruja e o coração



Em muitos assuntos da minha vida eu sou adepto daquela expressão “menos é mais”, preferindo algo mais simples a coisas requintadas, sofisticadas ou até mesmo exageradas.

Acho que a música de Tiê é mais ou menos assim. Não há nada de muito requintado, suas letras são simples (em certas situações extremamente autorais), mas o seu som me faz um bem danado.

Eu conheci Tiê através de uma matéria sobre as novas promessas da MPB, que foi publicada na Revista da Cultura no ano passado. Curioso, procurei sua música e tive acesso ao seu 1º CD, “Sweet Jardim”. No início achei aquilo tudo muito estranho, as músicas não faziam sentido pra mim, e ela parecia não ter vontade de cantar.

Mas dando-se o tempo necessário para a maturação do CD na minha cabeça, eu fiquei completamente viciado nas canções daquela moça tímida, de voz suave e aparentemente despretensiosa.

Embora eu não conseguisse interpretar o que Tiê queria externar em algumas das suas canções, eu não parava de cantá-las, e aos poucos, depois de muito ouvi-las, aprendi que o simples pode dizer muita coisa e pode até mesmo ser, de certa forma, complexo (se é que vocês me entendem ...).



Canções como “Dois”, “Quinto Andar”, “Chá Verde” (uma das minhas preferidas) e “Assinado Eu” (a maneira mais delicada que eu já vi de se acabar uma relação ou não dar esperanças a uma pessoa), tocaram (e ainda tocam), por muito tempo no meu pc, no meu carro e no meu ipod, ou seja, em todos os lugares em que eu ouço música!!!!

E eis que agora em março Tiê lançou o seu segundo CD, intitulado “A Coruja e o Coração”, título este que eu achei maravilhoso, pois, na minha interpretação, significa o encontro da razão com a emoção. E como aconteceu com “Sweet Jardim”, eu estranhei as músicas no início, mas, passado o período de deglutição, estou completamente apaixonado pelo álbum.



Tiê volta diferente, embora ainda preserve o tom minimalista das suas canções, incorporou a sua banda a bateria de Naná Rizzini, trazendo algo mais ativo a sua banda. O que me marcou foi a pegada mas country incorporada ao disco, que casou muito bem com a voz da moça. A música “Pra Alegrar o meu dia” é uma delícia de se ouvir, em “Mapa Mundi” ela tem a ilustre participação de Tulipa Ruiz, Karina Zeviani e Thiago Pethit. O tom romântico também está em “Piscar o olho” e “Te mereço” (que parece ser uma continuação de “Te valorizo”, música do primeiro CD).

Tiê ainda interpreta a linda “Só sei dançar com você”, já gravada por Tulipa Ruiz em seu cd “Efêmera”, e “Você não vale nada” (é isso mesmo, aquela música de Calcinha Preta), com um arranjo flamenco, da qual eu ainda não me decidi se gosto ou não (ela foi, no mínimo, ousada).

Enfim, Tiê, com sua simplicidade, continua apaixonando quem a ouve, até porque o menos pode ser muito mais ...

Aguardo ansiosamente a vinda de Tiê ao Recife ...

Tiê - Para Alegrar o meu dia

Beijos,   

12 abril 2011

Parcerias

Ainda sob o efeito do show de Roberta Sá e em semana de conclusão da monografia, ou seja, sem tempo pra nada, trago duas parcerias maravilhosas da linda cantora.

A primeira é "Mambembe", música que faz parte dos extras do DVD "Pra se ter alegria", em que Roberta canta junto com Chico Buarque (compositor da canção).

A segunda é "Minha Princesa Cordel", música feita sob encomenda por Gilberto Gil, para a abertura da novela Cordel Encantado. Gil convidou Roberta para cantar a segunda parte da música.

Duas músicas lindas, para alegrar essa semana chuvosa aqui no Recife.

Roberta Sá e Chico Buarque - Mambembe


Gilberto Gil e Roberta Sá - Minha Princesa Cordel




Beijos,

10 abril 2011

Puro encantamento



Roberta Sá já merecia um post aqui no blog faz muito tempo, mas talvez por eu ser muito seu fã, escrever sobre ela não é tarefa fácil.

Sexta-feira assisti, pela segunda vez, o show “Quando o canto é reza”, espetáculo do cd homônimo, no qual Roberta divide o palco com o Trio Madeira Brasil, integrado por Marcello Gonçalves (violão de sete cordas), Ronaldo do Bandolim e Zé Paulo Becker (violão e viola caipira), interpretando canções de Roque Ferreira, famoso compositor do Recôncavo Baiano, já gravado por estrelas como Zeca Pagodinho e Maria Bethânia.

Roberta surgiu na minha vida (eu não me lembro como!!!) no lançamento do seu 1º cd, "Braseiro". Na época o cd sequer era encontrado nas lojas do Recife, e como foi amor a primeira vista, ficava fuçando no computador em busca de todas as músicas do álbum. Um disco clássico, composto por sambas antigos e com participações especialíssimas, como Pedro Luís (seu marido), Ney Matogrosso e MPB4, cantando a linda “Cicatrizes”.



E minha admiração por Roberta só ia crescendo. Até que foi lançado “Que belo estranho dia pra se ter alegria”, um cd mais contemporâneo, sem esquecer dos sambas antigos (como a excelente “Interessa”) e com participação dos maravilhosos pernambucanos Lenine (em “Fogo e Gasolina”) e Lula Queiroga, compositor da música que dá nome ao álbum.

Depois disso, veio o terceiro cd, este ao vivo, mostrando uma cantora muito mais desenvolta e segura no palco, relembrando seus maiores sucessos e trazendo as lindas “Samba de um minuto” (pra mim a melhor música do disco) e “Janeiros” (composição da própria Roberta com Pedro Luís).

Neste momento, Roberta Sá já era uma cantora consolidada na música nacional, sendo considerada um dos grandes nomes surgidos nos anos 2000, sucesso de crítica e de público. Mas eis que Roberta, para minha grata surpresa, foge do popular e comercial, e lança o citado “Quando o canto é reza”, um disco para poucos, com letras muito ligadas à cultura baiana e ao candomblé, mas que, para minha surpresa novamente, tornou-se sucesso para o grande público, sendo muito bem recebido em todo o país.


"Quando o canto é reza" é um disco leve, mas de uma sonoridade muito marcante, trazendo arranjos diferenciados às canções de Roque Ferreira, fugindo, em determinados momentos, ao samba de roda inerente às músicas do referido compositor, passeando pelo ijexá, samba carioca, maxixe, dentre vários outros ritmos. Embora eu seja suspeito pra falar das músicas, já que adoro todas, destaco a sua versão para “Água da minha sede”, já gravada por Zeca Pagodinho” e "Marejada" (minha música preferida no disco).



No primeiro show de Roberta no Recife, da turnê do “Quanto o canto é reza”, eu tive a honra de conhecê-la, e confesso que foi um dos momentos mais emocionantes que já vivi. Além de ser uma excelente cantora, de uma contemporaneidade ímpar, dando a clássicos uma sofisticação louvável, Roberta é de uma simpatia e simplicidade admiráveis, refletindo doçura por onde passa.


Antes de terminar este post (se deixar eu falaria dela por muitas e muitas linhas ...) preciso destacar o excelente trabalho dos percussionistas que a acompanham no show (Zero e Paulino Dias), tornando-se um dos diferenciais do espetáculo e trazendo toda a magia que a percussão, tão presente na cultura afro-brasileira, transmite.

Roberta é uma das grandes responsáveis pela minha paixão por samba, sua música me seduz, proporcionando-me puro encantamento.

Roberta Sá e MPB4 - Cicatrizes


Roberta Sá - Marejada




Beijos,

07 abril 2011

Por que???



Hoje ocorreu, no Rio de Janeiro, um acontecimento, no mínimo, triste. Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, da qual era ex-aluno, e atirou, incontroladamente, em crianças que estavam assistindo aula, matando 12 delas.

Histórias deste tipo não são desconhecidas da sociedade, acontecendo, com certa frequência, nos Estados Unidos, principalmente em decorrência de situações de bullying. Mas no caso de hoje, aparentemente não seria hipótese de violência moral, não havendo (se é que pode haver) justificativas para as atitudes do atirador.



É complicado visualizar algo que justifique um tipo de atitude desta. Por que matar um terceiro, que nada tem haver com a sua loucura??? Qual a culpa de crianças, que estão em sua escola assistindo aula, pelos problemas que determinado indivíduo tenha??? Por que tanto egoísmo, narcisismo e falta de compaixão, de modo que seja necessário matar inocentes, no intuito, eu acho, de dar maior visibilidade a sua própria morte???

Pela carta deixada por Wellington, observa-se um ser extremamente perturbado, que se achava intocável por qualquer outra pessoa, demonstrando, no seu texto, ser um indivíduo “superior” a qualquer outro que habite este mundo, o que reflete a possibilidade de existirem sérios distúrbios mentais naquele indivíduo.



O que eu não consigo compreender, afora a loucura inerente ao episódio, são as razões para que estas crianças sejam violentadas de forma tão brutal; se existe uma entidade superior, e eu de fato acho que exista, por que permitir tamanha atrocidade???

Percebe-se que eu tenho muito mais perguntas do que respostas ... se é que alguém pode explicar esse absurdo.

Hoje só me vem uma conjunção na cabeça: POR QUE???


Beijos,
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