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31 março 2011

Sobre perder



Por que é tão difícil enxergar a hora de parar, entender que chegou o momento de não insistir contra determinada situação e simplesmente se resignar, aceitar que perdeu, partir pra outra, seguir em frente, buscar novos desafios, ou simplesmente, se entregar???

E por que o ser humano admira tanto pessoas que não desistem nunca, que se mantêm fortes até o último suspiro, inabaláveis, como o ex vice-presidente José Alencar, que faleceu essa semana, em decorrência de um câncer com o qual lutava a mais de 20 anos, tendo realizado 17 cirurgias, passado pelos mais diversos tratamentos, mas sempre transmitindo serenidade, otimismo e, mais do que tudo, esperança.

A morte de José Alencar me fez pensar sobre perdas, não só em relação a doenças, mas em tudo que vivenciamos, desde uma simples partida de futebol, até a nossa própria vida.



Eu costumo ser uma pessoa determinada e me entrego por inteiro em um objetivo, quando aquilo de fato é importante pra mim. Mas nem sempre as coisas funcionam com toda essa altivez, e muitas e muitas vezes eu simplesmente me entreguei, desisti, sem ao menos persistir naquilo em que eu julgava importante. E com isso perdi oportunidades, amores, amigos, momentos ...

E como machuca ser fraco ... deixar as oportunidades escaparem pelas mãos, quando eu podia fazer do meu destino algo diferente ... e aí bate a culpa, o remorso, a sensação de que muito mais poderia ter sido feito, de que eu sou muito mais forte do que aquela dificuldade que me foi posta.

Em contrapartida, como é gostoso sentir a vitória, o dever cumprido, a sensação de que aquele desafio foi superado e que nada consegue te segurar ... como esses momentos marcam, e se tornam muito mais presentes do que o sentimento de derrota.

É por isso que eu prefiro tentar até o fim, e por muitas vezes bater a cabeça pela minha teimosia. Talvez a sensação de vitória seja essencial ao ser humano, a sua evolução, dando mais sentido à vida, tornando nossa existência um eterno desafio.

Os desafios nos impulsionam, nos empurram adiante e nos fazem querer levantar da cama diariamente, até porque, desde quando eu era um espermatozóide, tive que escolher entre vencer ou me entregar. É por isso que eu quero ter sempre um José Alencar dentro de mim ...

Que ele finalmente descanse em paz ...

Beijos, 

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